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MPE pede à polícia investigação social sobre racismo contra estudante de Maceió


Autor: Thiago Gomes e Ruana Padilha Data da postagem:
10:30 05/06/2017 Visualizacões: 332

Comentários racistas foram postados e compartilhados no Instagram / Foto: Reprodução - Instagram - Gazeta Web
OAB vai tentar reunião com o colégio e propor palestra sobre igualdade racial

Após a repercussão do preconceito racial sofrido nas redes sociais por uma adolescente do colégio Santa Úrsula, o Ministério Público Estadual (MPE) enviou um ofício para a Delegacia da Criança e do Adolescente para que seja instaurada uma investigação social sobre o caso. A Comissão de Promoção da Igualdade Social da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Alagoas também anunciou que vai tentar agendar uma reunião com a direção da escola e solicitar a realização de uma palestra sobre as questões raciais com aquela comunidade escolar.

Cerca de 12 alunos identificados como autores da ofensa contra a estudante foram punidos pela unidade de ensino. Os pais de todos eles foram chamados individualmente para tratar sobre o caso e um deles decidiu retirar o aluno da escola. Por hora, os demais continuam matriculados na unidade de ensino. O fato aconteceu na última quarta-feira à noite, quando aconteciam os Jogos Internos da escola.

No caso do MPE, o documento requisitando a apuração do episódio foi assinado pela promotora Cíntia Calumby, integrante da 11º Promotoria de Justiça, e já foi enviado, na manhã desta sexta-feira (2), para a delegada Teíla Nogueira, responsável pela delegacia especializada.

O presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Social da OAB Alagoas, Alberto Jorge, o Betinho, informou que na tarde desta sexta-feira vai protocolar uma solicitação para que seja marcada uma reunião com os diretores e professores do Colégio Santa Úrsula para que o assunto seja discutido. Além disso, vai pedir um evento para expor aos alunos a temática racial.

"Ciente das publicações nas redes sociais, a comissão vai emitir um comunicado oficial ao Santa Úrsula para ser agendada uma reunião administrativa, bem como solicitar a realização de uma palestra educativa sobre as questões raciais e sobre o crime de racismo, haja vista que tais situações não podem ocorrer no âmbito educacional e social", afirmou Betinho.

A Escola

A responsável pelo setor de comunicação do Colégio Santa Úrsula, Laura Rodrigues, informou que todos os envolvidos no ato preconceituoso já foram identificados. O colégio adotou os procedimentos cabíveis e se reuniu com os pais de todos eles de forma individual.

"Como são todos menores, estamos agindo de acordo com o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) e tomando as medidas mais adequadas para não constranger nem expor nenhum dos menores envolvidos. Eles já foram identificados e os pais já foram convocados a comparecer à escola e juntos conversaremos e orientaremos os adolescentes", esclareceu.

A vítima continua matriculada no Santa Úrsula e, segundo a comunicação da unidade escolar, está frequentando as aulas normalmente. "Desde o momento em que aconteceu essa situação toda equipe se direcionou para dar assistência à adolescente", disse.

O Episódio

O caso ganhou repercussão, na última quinta-feira (1º), quando a imagem foi compartilhada várias vezes nas redes sociais. No diálogo, a aluna negra é xingada por companheiros do colégio em que estuda.

Em muitos comentários racistas, compararam a adolescente a um macaco: "Sem comentários para a macaca azeda que eu vou meter meu gesso na cara", "merma arruma esse cabelo de tuim pra poder falar dos outros!!" (Sic).

Em outro comentário, uma jovem utiliza as hashtags #aiquesusto, "Vaiii comer banana oush". Um aluno chega a recriminar a atitude dos estudantes: "Isso foi racista", afirmou. Mas os alunos continuam com os comentários: "Aquela macaca merece todo racismo do mundo", responde.
Fonte:
http://www.ceert.org.br/noticias/direitos-humanos/17470/mpe-pede-a-policia-investigacao-social-sobre-racismo-contra-estudante-de-maceio